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A carta da ASTAC ao LIDL

A carta da ASTAC ao LIDL

A ASTAC (Associação Sindical de Trabalhadores Agrícolas e Agricultores do Equador), parceira Equatoriana da astacOxfam Alemanha, enviou uma carta ao LIDL, um ano após terem reunido na sua sede (onde debateram o relatório “Fruta doce, verdade amarga”), a fazer o ponto de situação.

Apesar do LIDL se ter mostrado interessado no respeito pelos direitos dos trabalhadores das suas plantações fornecedoras, e de ter certificado as suas bananas através da Rainforest Alliance, um ano depois, ainda pouco mudou: “Infelizmente, um ano depois, as condições dos direitos laborais e humanos nas plantações já mencionadas ainda são deploráveis. A exploração do trabalho e a violação dos direitos persiste – apesar de a observância às regras, como nos garantiram então, vos causar uma grande preocupação.”

Nesta carta, a ASTAC anexou um relatório elaborado após a visita a 5 plantações fornecedoras do LIDL, que inclui alguns testemunhos dos trabalhadores e das pessoas da comunidade vizinha.

As leis nacionais e outras regras internacionais ainda são violadas:

  • A maioria dos trabalhadores não recebem salários que lhes permitam suprir as suas necessidades básicas. Há diversas irregularidades nos métodos de pagamento.
“Seria bom que o Ministério do Trabalho viesse aqui e visse que muitos (trabalhadores) não estão registados no sistema de segurança social”. (Hacienda La Palma)
“Mesmo o salário mínimo não seria suficiente, quanto mais o salário de miséria que nos pagam” (Hacienda El Naranjo)
“Há colegas que trabalham aqui há mais de 7 anos e não estão cobertos por um seguro.” (Hacienda El Naranjo)
“Pedimos aos nossos patrões que façam um seguro e eles respondem que o vão fazer amanhã ou no dia seguinte, mas nunca o fazem.” (Hacienda El Naranjo)
“Depois, exigimos ter a cobertura de um seguro e dizem-nos que, se não queremos trabalhar aqui, podemos ir embora.” (Hacienda El Naranjo)
“Queixam-se de não ter dinheiro, mas a seguir compram outras plantações.’’ (Hacienda El Naranjo)
“Sabemos a que horas começamos a trabalhar, mas não sabemos a que horas vamos acabar.” (Hacienda San Juan)
“Trazemos a nossa comida de casa porque a comida aqui é realmente má, deixa-nos doentes.” (Hacienda Matias)
“Disseram-nos que temos de pagar pela comida.” (Hacienda Matias)
“Quero que o Ministério do Trabalho venha aqui ver como somos explorados.” (Hacienda Matias)
  • Os trabalhadores estão em constante risco de envenenamento por agroquímicos extremamente perigosos e existe uma quase total ausência de medidas de proteção no caso da pulverização aérea, que é realizada enquanto os trabalhadores estão nas plantações ou ausentes durante pouco tempo.
“Quando ouvirem o avião, fujam da plantação, mas devem voltar passado uma hora”. “Como não conseguimos sair da hacienda, abrigamo-nos debaixo de uma folha”. (Hacienda La Palma)
“Os sinais de aviso são instalados na plantação para cumprir a lei, mas o seu conteúdo não é respeitado.” (Hacienda La Palma)
“Quando há pulverizações aéreas, o cheiro é insuportável.” (Hacienda La Palma)
“Quando ouvimos o avião vamos para dentro de casa e fechamos tudo e não saímos até o cheiro desaparecer.” (Hacienda La Palma)
“Vamos para dentro de casa assim que ouvimos o avião.” (Hacienda El Naranjo)
“Não secamos a roupa perto do rio nem a lavamos no rio porque este está contaminado.” (Hacienda El Naranjo)
“Eles pulverizam por cima de nós.” (Hacienda San Jose)
“Toda a gente tenta sair da plantação (durante as pulverizações) como possível.” (Hacienda San Jose)
“Pelo menos agora avisam-me e pedem-me para assinar um papel. A seguir, fecho-me dentro de casa até o mau cheiro desaparecer.” (Hacienda San Juan)
  • As pulverizações aéreas também contaminam fontes de água, animais e pessoas que vivem na proximidade das plantações. Os trabalhadores que se querem associar ao sindicato ou formar a sua própria organização são ameaçados. De facto, qualquer tipo de organização dos trabalhadores é ameaçada. Portanto, os trabalhadores têm medo de falar com pessoas de fora da comunidade acerca das condições de trabalho na vossa empresa ou sobre qualquer assunto, por receio de serem vistos por um dos supervisores da plantação.
“Se nos veem a falar com estranhos podem despedir-nos e se nos virem a falar convosco também podem fazê-lo.” (Hacienda El Naranjo)

“…a ASTAC não pode manter o silêncio sobre o que pode parecer um logro a milhares de consumidores na Europa, que acreditam que a sua solidariedade com os trabalhadores que cultivam a fruta que o LIDL vende está a ser considerada e respeitada. Manter o silêncio faria de nós cúmplices e não faremos isso.”

 

A Campanha Make Fruit Fair já teve algumas vitórias nestes últimos dois anos, mas há ainda um longo caminho a percorrer até a cadeia de abastecimento do LIDL ser realmente justa e sustentável.

Continuaremos a desafiar o LIDL (#AskLidl) para que melhore as suas práticas e se torne numa cadeia de supermercados exemplar.