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Um cocktail perigoso

Um cocktail perigoso

Um cocktail de pesticidas, dos quais vários ilegais na UE, são pulverizados todas as semanas – não apenas sobre as plantações de banana, mas também sobre os trabalhadores e residentes nas pequenas aldeias circundantes, no Equador.

Estudos revelam que 26 pesticidas são utilizados no Equador. Destes, 18 são ilegais na Dinamarca e 7 ilegais na UE – muitos dos quais por serem demasiado perigosos.

A UE reconhece que a pulverização aérea pode ter sérias consequências para a saúde humana e procura evitar que estas consequências atinjam os cidadãos europeus. Assim, a pulverização aérea de pesticidas é desencorajada, exceto em condições em que se torne uma vantagem em vez de um risco para as pessoas e o ambiente.

As regiões de plantações de banana do Equador são as que estão no topo das estatísticas ao nível das malformações e deficiências congénitas, segundo um relatório da Defensoría del Pueblo (Defesa dos Direitos Humanos do Equador). Vários peritos acreditam que estes problemas de saúde estão ligados aos pesticidas que são pulverizados sobre as plantações.

Um cocktail perigoso

 As pessoas não percebem o que significa ser o maior exportador de banana da industria. Elas estão orgulhosas das nossas bananas, mas estes pesticidas são utilizados ao acaso. É de facto uma situação terrível” (Alexander Naranjo, Environmental engineer)

Os químicos que são proibidos na UE são utilizados casualmente nas plantações de banana do Equador” explica Naranjo. “As circunstancias são as mesmas noutros países produtores de bananas, como a Colômbia, Costa Rica, Guatemala e Peru.”

“Parte do problema com os pesticidas na produção de banana é que estes nunca são pulverizados um de cada vez. É um cocktail de pesticidas. Vários são misturados e pouco se sabe sobre os efeitos da combinação de pesticidas.

A industria bananeira equatoriana

A indústria bananeira é uma das mais importantes no Equador e um grande número de pessoas depende dela. Mais de 200 mil pessoas colhem e embalam bananas nas 5.737 plantações de banana equatorianas, que abrangem cerca de 163 mil hectares do território. De acordo com a organização do comércio da indústria bananeira no equador, o país representa 29% das exportações mundiais.

O Equador vende cerca de 25% da sua produção para a Rússia, 33% para a UE, e 9% para os EUA.

“Nós cumprimos todas as normas”

Durante a investigação, a DANWATCH entrevistou Eduardo Ledesma, o diretor dos exportadores de banana equatorianos, que trabalha na indústria bananeira há 20 anos, e nega a utilização de pesticidas proibidos pela UE nas plantações de banana.

A produção de banana equatoriana cumpre todas as normas internacionais. Nós cumprimos as regras internas para proteger os trabalhadores, pagamos-lhes acima do salário mínimo, claro, cumprimos as normas ambientais, acordos sociais, leis do setor da banana, e segurança social. Os requisitos da UE para a segurança alimentar das bananas, no que respeita à tolerância de pesticidas. A tendência no Equador é para a remoção dos pesticidas consoante os requisitos de cada país. O Equador não utiliza pesticidas que não sejam permitidos na UE ou nos EUA.

Questionado sobre a utilização de pesticidas em certas plantações visitadas pelos jornalistas da DANWATCH durante a investigação, Ledesma afirma:

Eu não sei quais as plantações que visitaram e onde viram pesticidas não aprovados pela UE para que possam fazer essas acusações. Eu não estou surpreendido porque tudo é possível. Como organização comercial, nós tentamos persuadir os nossos parceiros a cumprirem as normas. Tudo o que sabemos é que isto é algum tipo de terrorismo que vem perturbar e influenciar o setor bananeiro equatoriano. Porque é que não vão à Guatemala onde eles pagam 6 dólares, quando nós pagamos quase 30? Porque não vão à Guatemala influenciá-los e chateá-los? Nós já solicitamos ao Ministério Estrangeiro para considerar esta situação e apresentar queixa contra estas organizações que tentam prejudicar o Equador.”

Questionado sobre os resultados revelados pelo relatório Manuela Espejo sobre a alta incidência de cancro, malformações e doenças congénitas nas regiões produtoras de banana, Ledesma nega:

Isso não é verdade. Se continuar a perguntar-me sobre o cancro e outras doenças congênitas eu vou continuar a negar, porque não é verdade. Pode haver um relatório ou vários relatórios, mas não é o caso. Porque é que não foi à Colômbia, Costa Rica ou à Guatemala? Às Filipinas? À Índia?”

A campanha Make Fruit Fair! tem vindo a alertar para as várias violações dos direitos humanos e laborais dos trabalhadores e produtores das plantações de banana e para as consequências ambientais do cultivo intensivo desta fruta tropical.

O objetivo da campanha é promover a justiça social em toda a cadeia de abastecimento de fruta tropical – das plantações até à prateleira do supermercado.

Pagar um preço justo e respeitar os direitos humanos e laborais é chave de sucesso para uma produção sustentável.

 

Fontes:

A DANWATCH publicou em dezembro de 2017 vários artigos resultantes de uma investigação ao setor bananeiro do Equador, que documentam a utilização de pesticidas perigosos (ilegais na Dinamarca e UE) nas plantações de banana equatorianas.

https://danwatch.dk/en/undersoegelse/the-poison-comes-from-the-sky/

https://danwatch.dk/en/undersoegelse/formand-for-banan-eksportoerer-vi-overholder-alle-regler/